Estive essa semana num painel executivo em São Paulo, na última quinta-feira, com diretores e C-levels do varejo digital, num evento onde o Chat Commerce Report 2026 serviu de ponto de partida para uma conversa rica, lúcida e bastante provocativa junto ao CDO do Grupo Veste, Pedro Corrêa. O Chat Commerce Report é uma publicação anual da OmniChat, que traz dados reais do chat commerce brasileiro, baseado em operações reais do ano anterior.
O dado que abriu o painel diz muito sobre o momento: 1 em cada 10 brasileiros conversou com uma marca atendida pela OmniChat em 2025. Não clicou em banner. Não abriu e-mail. Conversou.
Mais do que tendência, é um indicativo real de comportamento.
O consumidor não espera mais. E o varejista que não entendeu isso está perdendo agora.
Tem uma coisa que os dados do Chat Commerce Report 2026 deixam muito clara: a conversa não tem horário. 25% das mensagens chegam fora do horário comercial. As segundas-feiras concentram quase 20% do volume semanal inteiro. Mas por quê? Porque o brasileiro passa o domingo mandando mensagem e o time chega na segunda com uma fila de intenção represada.
Intenção represada é oportunidade desperdiçada. Quem responde no momento certo captura a demanda antes do concorrente. E é aí que entra a IA.
Não como substituta do time. Como a pessoa que mantém a loja aberta quando o vendedor foi embora, quando ele foi "dormir".
A escala que o headcount nunca vai conseguir
Entre 2023 e 2025, o volume de conversas na OmniChat cresceu mais de 70%. O time de atendentes cresceu 18%. Essa conta nunca fecharia com contratação. E posso dizer que quem tentou escalar só com headcount sentiu no custo e na qualidade do atendimento.
A demanda absorvida cresceu 4 vezes mais do que a equipe. Isso só é possível quando a IA está operando junto. Isso com agentes autônomos como também com a IA generativa que pode servir como copiloto para os times de humanos.
Mas o argumento não é só de eficiência operacional. É de resultado comercial.
O Whizz Agent, a IA autônoma da OmniChat, tem 9% de conversão receptiva. O atendente humano tem 9% de conversão receptiva. A diferença? O custo por conversa da IA é R$ 0,99. Do humano, R$ 4,00. E aí, imaginou a economia que pode vir disso?
O vendedor humano vende mais quando a IA assume o operacional
Existe uma máxima no mercado e sobre a qual eu critiquei no último artigo aqui no blog do Numuu: IA substitui vendedor em qualquer contexto. Ela está errada, ou pelo menos está incompleta de um jeito que pode custar caro.
A IA autônoma funciona bem onde o contexto já está dado e a decisão é mais direta. Carrinho abandonado é o exemplo perfeito: o cliente escolheu o produto, foi até o checkout, saiu. A IA entra sabendo exatamente o que ele estava comprando. Vai direto ao ponto. Sem delay. Menos fricção, mais conversão.
Mas o vendedor que usa IA como copiloto, não como substituto, vende melhor. Os dados mostram: com IA copiloto, o tempo médio de atendimento cai 53% e o CSAT sobe 14%. Mais velocidade para o vendedor. E mais qualidade. Equação vitoriosa.
Pensa no que isso significa. O vendedor não está sendo substituído. Ele está sendo liberado do operacional para fazer o que só ele faz bem: construir contexto, ler o que não está sendo dito, fechar com presença.
No pico, quem não estava preparado perdeu
A Black Friday é o teste de stress do varejo. E os dados desse ciclo foram contundentes.
Com o mesmo time, variação de 1% nos vendedores ativos, as conversas com IA autônoma cresceram 689%. As vendas influenciadas subiram 34%. O tempo de espera caiu 54%.
Melhorar todos os indicadores com o mesmo time só é possível quando a IA já está integrada antes do pico chegar. Quem chegou na Black Friday tentando implementar seu modelo com o apoio da IA generativa estava tarde.
O case da Hering deixou isso ainda mais evidente: R$ 1,5 milhão em faturamento via WhatsApp em janeiro de 2025. Não na Black Friday, em janeiro. Com 20% de conversão estável em alto volume e ROAS de 123x com IA autônoma. Escala sem perder a conversão é o que separa uma operação estruturada de uma campanha pontual.
O varejo premium tem um desafio diferente
No painel desta semana, como já relatado, tive a oportunidade de conversar com Pedro Corrêa, CDO do Grupo Veste. O Grupo Veste opera marcas como Le Lis, Dudalina e BO.BÔ, com faturamento digital que cresceu 22,5% no primeiro trimestre de 2026, chegando a R$ 76,4 milhões.
A marca aumentou a capacidade de atendimento digital em 40% depois que o WhatsApp foi estruturado como canal oficial. E o aprendizado que Pedro trouxe para a sala foi o que eu mais queria ouvir na voz de quem opera nessa escala.
O consumidor premium tem uma relação emocional com a marca. O que ele não perdoa no digital não é a demora, mas sim a falta de contexto. É sentir que está falando com uma máquina que não sabe quem ele é. É perder a sensação de que a marca o reconhece.
Isso coloca uma exigência específica sobre como a IA é usada no varejo de luxo e premium: ela precisa operar com inteligência de contexto, não só com velocidade de resposta.
Os dados de moda do Chat Commerce Report corroboram essa leitura: o ticket médio do varejo de moda no WhatsApp cresceu 25% em um ano, de R$ 513 para R$ 639. O maior salto entre todos os segmentos monitorados. A conversão em carrinho abandonado chega a 73%. O ROAS médio de campanhas é de 32x.
O consumidor de moda no WhatsApp compra mais e com ticket mais alto. O que move esse número não é só o canal. É a qualidade de conversa dentro de uma operação que escala sem abrir mão da experiência.
A jornada não termina na compra. E o canal acompanha tudo.
Um insight que eu precisava fechar esse artigo é o que segue: o WhatsApp não é um canal de atendimento que também vende. Ele virou o modelo de relacionamento.
O mesmo canal que dispara uma campanha de reengajamento fecha o carrinho abandonado, resolve o pós-venda, reativa o cliente inativo e gera recompra. A jornada completa acontece por conversa. O consumidor não separa mais os momentos em canais diferentes, mas ele espera que a marca o acompanhe com contexto acumulado. E a IA é o que torna isso operacionalmente possível.
Não porque ela substitui ninguém. Porque ela mantém o padrão de resposta quando o vendedor foi embora, quando chegou o pico sazonal, quando a campanha gerou volume que o time não suportaria sozinho.
A conversa não para. A IA garante que a marca também não pare. Viva o novo normal!
Dados referenciados neste artigo têm como fonte o Chat Commerce Report 2026, estudo proprietário da OmniChat baseado em operações reais do varejo brasileiro. Os dados do Grupo Veste foram compartilhados em contexto de painel executivo público realizado em São Paulo em junho de 2026.
Conhecer OmniChat




