O que é agentic commerce?
Agentic commerce é um modelo em que agentes de IA participam ativamente da compra.
Em vez de abrir várias abas, comparar preços e analisar avaliações manualmente, o consumidor pode pedir:
Encontre o melhor notebook até R$ 5 mil para edição de vídeo, considerando prazo de entrega e reputação da loja.
A IA passa a ajudar não apenas na busca, mas também na comparação e na decisão. Em experiências mais integradas, pode até executar uma compra autorizada pelo usuário.
Essa infraestrutura já começou a tomar forma. O Agent Payments Protocol (AP2) foi anunciado em setembro de 2025, o Universal Commerce Protocol (UCP) ganhou forma em janeiro de 2026 e o Universal Cart foi apresentado no Google I/O de maio de 2026.
Isso não significa que agentes já compram qualquer coisa sozinhos. Significa que a tecnologia necessária para experiências desse tipo está sendo construída agora.
Por que o marketing deveria prestar atenção?
Porque o comportamento já começou a mudar.
Segundo a Adobe, no primeiro trimestre de 2026, o tráfego vindo de fontes de IA para sites de varejo nos Estados Unidos cresceu 393% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em março, esse tráfego converteu 42% melhor que o tráfego não originado por IA.
A Salesforce também estimou que IA e agentes influenciaram cerca de US$ 262 bilhões em vendas online durante a temporada de fim de ano de 2025.
Não significa que toda compra será feita por um agente amanhã. Mas mostra que a IA já participa de jornadas comerciais reais.
O que muda no marketing de performance?
Durante anos, boa parte do marketing digital foi otimizada em torno de uma sequência conhecida:
Com agentes de IA, parte da pesquisa e da comparação pode acontecer antes da visita ao site.
O consumidor pode pedir recomendações, comparar marcas, eliminar opções e só então avançar. Em experiências mais integradas, algumas etapas podem acontecer dentro do próprio ambiente do agente.
É por isso que Lucas Reis, em coluna na Meio e Mensagem, chama atenção para uma possível mudança no papel do último clique:
Ao centralizar a intenção de compra em uma estrutura persistente, o último clique deixa de ocorrer na página do anunciante e passa a ocorrer dentro do ambiente do agente.
Lucas Reis, Meio e Mensagem
Não é uma regra para todo o mercado. Mas aponta para um problema real: os indicadores tradicionais podem explicar uma parcela menor da jornada.
Se a IA não encontra sua marca, quem encontra?
Aqui entra uma discussão cada vez mais comum no marketing: GEO, ou Generative Engine Optimization.
GEO reúne práticas para melhorar a presença de marcas e conteúdos em experiências de IA. Às vezes isso significa ser citado. Em outros casos, ser mencionado, recomendado ou considerado em uma resposta.
Não é simplesmente "o novo SEO". Existe sobreposição, mas o desafio é diferente.
Uma marca precisa ser fácil de encontrar e entender. Isso passa por:
- Informações claras sobre produtos e serviços.
- Páginas organizadas por assunto.
- Dados com fontes verificáveis.
- Conteúdo atualizado.
- Presença em fontes externas confiáveis.
O ponto não é escrever para robôs. É reduzir ambiguidade.
E para quem vende no Brasil?
O ecossistema de agentic commerce ainda está em construção. Protocolos são recentes e as integrações variam por mercado.
Mas o hábito de usar IA para descobrir produtos já existe.
Dados da Similarweb indicam que 35% dos consumidores americanos analisados usam IA na etapa inicial de descoberta, contra 13,6% que recorrem a mecanismos de busca nessa mesma etapa.
Isso não significa que o Google acabou. Significa que a descoberta está ficando mais distribuída.
Para uma empresa, a pergunta prática é simples:
Por onde começar?
Não precisa redesenhar toda a estratégia por causa disso. Comece com um diagnóstico:
- Faça perguntas reais de compra no ChatGPT, Gemini e Perplexity.
- Veja quais marcas aparecem e quais fontes são usadas.
- Revise se preço, diferenciais, localização e condições estão claros no seu site.
- Observe se sua marca existe fora do próprio domínio: matérias, reviews, comparativos e comunidades.
- Acompanhe protocolos como UCP e AP2 se você trabalha com e-commerce, catálogo ou pagamentos.
A mudança central é esta: a interface entre intenção e compra está ficando mais intermediada por IA.
Durante muito tempo, o marketing perguntou:
Como faço o cliente clicar em mim?
Agora, outra pergunta começa a importar:
Por que uma IA consideraria minha marca entre todas as opções disponíveis?
O agentic commerce ainda está no começo. Nem toda previsão vai se confirmar e nem toda empresa precisa correr para integrar um protocolo amanhã.
Mas se a IA não consegue encontrar, entender ou considerar sua marca, existe uma chance crescente de o consumidor também não chegar até ela.
FAQ
Agentic commerce já funciona no Brasil?
Parcialmente. O uso de IA para pesquisar e comparar produtos já existe, mas experiências completas de compra por agentes ainda dependem de integrações, pagamentos, disponibilidade regional e autorização do usuário.
Isso mata o tráfego pago?
Não. Mídia paga continua importante. O que muda é a jornada: parte da descoberta e da comparação pode acontecer em ambientes de IA, tornando a atribuição mais complexa.
GEO é a mesma coisa que SEO?
Não. Existe sobreposição, mas SEO busca melhorar a presença em mecanismos de busca tradicionais, enquanto GEO olha para a visibilidade em experiências generativas.
Qual é a primeira ação concreta para uma empresa?
Pesquise perguntas reais da sua categoria em diferentes ferramentas de IA e observe quais marcas e fontes aparecem. Antes de pensar em integrações complexas, descubra se sua marca já é encontrável e compreensível.





